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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

HOMENAGEM À NAILOR BALZARETTI - TRADICIONALISTA GRAMADENSE



A Cultura Gramadense está de luto!

Faleceu essa semana o tradicionalista Nailor Balzaretti, vítima de acidente de trânsito.
Como forma de homenagear esse grande gramadense, que participou ativamente do movimento tradicionalista em Gramado, da organização da Festa da Colônia e atuou em outras esferas sociais, reproduzimos o texto publicado pela historiadora Marília Daros, publicado na gramadosite.com.

TEXTO: MARÍLIA DAROS

Homenagem ao velho amigo NAILOR NILTON BALZARETTI,
da Gramado inesquecível de nossas vidas.
Somos únicos, insubstituíveis. E o que deixamos para os nossos netos, bisnetos e demais descendentes, é o que fizemos em vida. Ele, certamente, sempre será um grande exemplo.

Quando era pequena escutava dos meus pais e professores esta advertência que foi comum em muitas gerações :
- “Não faça isto ! É feio !...”
Entendo agora que esta era uma forma de garantir que sempre fossemos éticos conosco e nossos semelhantes. Uma forma de ensinar a não violência, o cuidado, o respeito, a verdade, a moral, qualidade de atitudes e sentimentos, preservando os valores que no decorrer dos tempos, haviam sido usados pelos antepassados.
“A verdade é que era bonita !”
A identidade, a clareza dos atos, a educação, a amizade, a cordialidade, o civismo. A beleza estava nos olhos da alma, no carinho do coração, nos afetos dos gestos. E procurávamos esta elegância comportamental que nos garantia um relacionamento saudável diante de pessoas de mais idade, de autoridades, de jovens colegas, de religiosos, de crianças menores que a gente...
“E isto era bonito !”
Mas o tempo foi se encarregando de mudar estes valores ou, de , ao menos, transformá-los em valores ditos “caretas”... O jovem de hoje , em sua maioria, detesta ser taxado de “careta” e busca massificar-se, deixando de lado estas formas mais polidas de convivência. Eu seria antiquada se quisesse que fosse tudo como “no meu tempo”, mas também seria deselegante para com o passado ,se dissesse que mudamos para melhor.

O “poder que o poder tem de apagar a memória coletiva” tem sido um dos responsáveis pelas mudanças drásticas nos jovens, pois eles estão aprendendo que a vida abre as portas para os que não batem educadamente e pedem licença para entrar, mas, aos que vão entrando, simplesmente, passando inclusive, outros para trás...

Aprendem hoje, que o companheirismo é sinônimo de partidarismo, e que a amizade tem preço tabelado. Aprendem a ter orgulho em não dividir o sucesso. Aprendem a dispensar a cultura pois ela atrapalha os caminhos do crescimento ambicioso. Aprendem a rejeitar a submissão da educação e a cometer os mesmos desmandos que recebem quando não fazem o que os outros querem...

Se o sucesso hoje, precisa abandonar tanto os valores éticos que a filosofia ensina, que a moral aprova e que a fé agrega para sermos “bons”, então, vamos ter que revisitar o velho retrato de família e ver se nossos avós tinham o famoso “fio de bigade”... Aquele que faz a “palavra” ser honesta e companheira da verdade. E se este “bigode” existir, cumprirmos com os sonhos deles para conosco, como queremos que o nosso futuro aceite os nossos projetos de agora. Caso contrário, os poderes dos homens apagarão os poderes da memória, mas não matarão a verdade: somos hoje um bando de esquecidos que buscamos o nosso próprio esquecimento.

Um dos homens que conheci que mais se apegaram aos valores aprendidos no convívio familiar e nos bancos escolares, certamente foi o compadre e amigo, Nailor Balzaretti. Convivi com a família toda. Seu Euzébio, dona Julieta, Eunice, Flávio. Minha juventude foi uma grande parceria com o entrelaçamento de nossas formas de ser a ver a vida. Nailor, como o mais velho, era o exemplo. E acreditem, ele ainda hoje era visto como exemplo. Se nos anos 50 e 60 ele representava a responsabilidade do irmão mais velho, hoje, ele era a pura representação da amizade que acontece quando o amor familiar supera o tempo e quando os valores adquiridos dos antepassados, são preservados e vivenciados.

Sua alegria diante da vida, sua devoção a cultura, especialmente a gaúcha, sua paixão pelos microfones, suas falas desprovidas de bajulações, mas com conhecimento e conteúdo, sempre fizeram diferença. Diferente de seu pai, um homem mais tranqüilo e arisco aos discursos e palanques, Nailor trazia no sangue a marca da velha avó professora, Ema Ferreira Bastos, que tão grande valor educacional representou para Gramado.

“Dôi”, como aprendi a chamá-lo, deixa um rastro de exemplos. Muitos. Como os da não violência, do cuidado, do respeito, da verdade, da moral, da qualidade de atitudes e sentimentos e ainda, da preservação dos valores cristãos que devem fazer parte do homem maduro e dos jovens de hoje em dia. Um amigo, um homem simples, um patriota, um cidadão, um cristão.

Se nos queixamos que a vida leva os bons, esta é uma forma de dizer que, nascemos todos iguais. Mas somos nós que escolhemos o caminho que vamos trilhar. E se temos um tempo nesta vida para sermos bons ou ruins, depende de nós esta opção.

Certamente, o Nailor escolheu ser bom. E certamente, se a memória existe, e eu acredito piamente nisto, ele não será esquecido.

Somos únicos, insubstituíveis. E o que deixamos para os nossos netos, bisnetos e demais descendentes, é o que fizemos em vida. E os descendentes do Nailor terão um grande exemplo e um grande orgulho neste homem público que não foi político, mas que fez a sua parte, muito bem feita, na história de nossa terra.

Que ele descanse em paz.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

HISTORIADORA GRAMADENSE SELECIONADA NO 1º CONCURSO FREI ROVÍLIO DA COSTA DE LITERATURA

Marília Daros foi amiga pessoal do Frei Rovílio da Costa e foi selecionada para o concurso literário que presta homenagem ao religioso


A historiadora gramadense Marília Daros, árdua defensora do patrimônio histórico material e imaterial de Gramado, foi selecionada para o concurso "Frei Rovílio Costa" - Histórias das Famílias Italianas no Rio Grande do Sul.


Marília foi amiga pessoal do Frei e o texto inscrito pela historiadora refere-se ao seu avô, Antônio Accorsi, considerado o "Pai do Artesanato Gramadense". O texto integra o livro que será lançado na Feira do Livro de Porto Alegre, em 2010, e conta a saga deste pioneiro vimeiro que chegou a Gramado em 1925, com um baú repleto de sonhos de trabalho, progresso e felicidade para a sua família.


A Professora Marília é autora de ínumeros livros, crônicas e textos que mantêm viva as origens do Povo Gramadense


A homenagem aos selecionados no concurso e a premiação acontecerá no dia 13 deste mês na PUC em Porto Alegre.

Conforme Marília "estou feliz em fazer parte de mais uma edição literária em minha vida, que já ultrapassam os 40 livros em que participo. É a forma que escolhi para colocar a história de Gramado no contexto do estado e do país. Agora, do Mundo."


A historiadora é responsável pelo Arquivo Histórico Particular Hugo Daros, que possui um grande acervo histórico sobre Gramado



A historiadora é uma grande batalhadora da Cultura Gramadense e realiza um brilhante trabalho de resgate histórico das nossas origens, briga e defende as causas que viabilizam o progresso sustentável da nossa comunidade e é personalidade imprescindível para alcançarmos a nossa tão sonhada Revolução Cultural Gramadense.



Além de historiadora e escritora, Marília Daros é uma talentosa artista plástica que costuma utilizar temas históricos em suas obras



A Subsecretaria de Cultura de Gramado tem grande orgulho em poder contar com membros ativos da comunidade gramadense que pensam na transformação social através das artes, na projeção do futuro calçada em nosso brilhante passado, na manutenção de nossas tradições para o conhecimento e aproveitamento das futuras gerações de gramadenses.



Marília é grande ativista junto aos grupos culturais étnicos da cidade e participa com entusiasmo do Grupo de Estudos Açorianos de Gramado, destinado ao resgate e preservação da história dos imigrantes portugueses




E a professora Marília é uma dessas pessoas que luta pela Cultura indiferente à política, à projeção social, ao benefício pessoal.

Parabéns!!!!


>>>Fotos: Arquivo Pessoal de Marília Daros e Divulgação <<<